Conselho prepara manual para retorno ao trabalho de oftalmologistas

Normas atendem médicos, técnicos e pacientes

Publicado em 18/06/2020 - 15:19 Por Alana Gandra -

Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro

Com o retorno gradual das atividades para alguns serviços nos estados e municípios, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) elaborou manual com normas de segurança tanto para os profissionais como para os pacientes que precisam de atendimentos médicos presenciais nessa nova etapa de combate à covid-19. Na avaliação do oftalmologista Pedro Carricondo, Tesoureiro do CBO e coordenador do grupo de médicos do Norte ao Sul do Brasil, que elaborou o manual, “é muito importante, dentro das condições que nós temos hoje, tentar garantir que o máximo de ações seja padronizado, tentando reduzir risco para todos os lados”. O CBO reconhece que é necessário redobrar a atenção no contato entre médicos e pacientes, tendo em vista que a região dos olhos é vulnerável em relação à transmissão do vírus. Embora a covid-19 seja uma doença muito nova e da qual a medicina sabe pouco ainda, Pedro Carricondo disse que já se comprovou que existe uma carga viral infectante na lágrima. “Por isso são tão importantes esses cuidados todos para o paciente não contaminar o médico e para este não servir de vetor para a contaminação dos seus pacientes”.

Aproximação

Pedro Carricondo observou que o exame oftalmológico requer uma aproximação muito grande do médico com o paciente. “Você fica ali a 40 centímetros do rosto do paciente”, disse ao destacar a importância das medidas de prevenção recomendadas pelo CBO.  Como a pessoa, durante o exame oftalmológico, encosta no aparelho, é necessário que seja feita higienização diferenciada do equipamento no intervalo dos pacientes, recomendou o médico. Segundo Carricondo, seguir as normas do manual vai facilitar a vida do médico, das pessoas que ajudam o médico e oferecer maior segurança também aos pacientes. O oftalmologista Rubens Belfort, presidente da Academia Nacional de Medicina (ANM), salientou a oportunidade de criação do manual pelo CBO que, segundo ele, representa “o melhor da nossa oftalmologia” e sempre age conjuntamente com a Associação Pan-americana de Oftalmologia e a Academia Americana de Oftalmologia.  De acordo com Belfort, estamos vivenciando um momento difícil no Brasil com a pandemia do novo coronavírus (covid-19). “É uma transição longa, mas as pessoas têm que retomar e fazê-lo com todo cuidado. Essa é a mensagem que eu vejo do CBO”.

Boas condutas

O manual de boas condutas para a retomada das atividades eletivas em oftalmologia indica ações que deverão ser executadas pelos oftalmologistas no atendimento aos pacientes e nas cirurgias eletivas, enquanto durar a pandemia. Uma delas é a necessidade de uso de protetores oculares e faciais para os médicos e trabalhadores nas clínicas de saúde; outra é o uso obrigatório de máscaras pela equipe médica, funcionários e pacientes, assim como a adoção das medidas higiênicas, com uso de álcool gel permanente. As pessoas idosas, em especial, que costumam apresentar problemas de visão, devem evitar ir acompanhadas à consulta por mais de uma pessoa. A orientação é que levem apenas uma pessoa para permanecer na recepção com elas. “A nossa recomendação é para tentar evitar aglomeração na sala”.  Segundo Carricondo, a maior parte das clínicas de olhos está trabalhando com equipe reduzida de funcionários entre 30% e 40% da capacidade, com intervalos maiores entre os pacientes e limpeza adequada do ambiente, mantendo ainda distanciamento das pessoas na recepção. Todos os profissionais de saúde precisam aferir e registrar temperatura corporal e notificar o aparecimento de quaisquer sintomas sugestivos de covid-19; não utilizar adornos e manter o cabelo preso ao sair de casa; usar roupas e calçados exclusivos para atividades na instituição de oftalmologia, que sejam trocados diariamente; usar o protetor de respiração do biomicroscópio. Para o pessoal que atua na recepção das clínicas, auxiliares de enfermagem e serviços gerais, o manual sugere o uso da face shield (máscara protetora facial de plástico). Deve haver disponibilização de álcool gel para pacientes, acompanhantes e colaboradores, e que esses higienizem as mãos ao chegarem na clínica.  De acordo com o manual, deve-se ainda evitar, se possível, confinamento dos pacientes, acompanhantes e colaboradores em ambientes fechados ou climatizados por ar condicionado. Recomenda-se manter as janelas abertas e o ambiente o mais arejado possível, com a acomodação das pessoas no recinto de maneira a manter a distância de segurança recomendada em locais fechados, que é de um metro entre cada uma.

Suspeitas de covid-19

Embora todos as pacientes devam usar máscara durante o atendimento médico, essa recomendação se faz ainda mais necessária para os pacientes confirmados ou com suspeita de covid-19, aponta o manual. Para os profissionais de saúde, é indicado também o uso de máscara cirúrgica, além de óculos de proteção ou face shields, luvas e gorro.  Outra recomendação é a colocação de barreira de proteção respiratória alocada na lâmpada de fenda ou biomicroscópio ocular, que é um instrumento usado por oftalmologistas para avaliação do meio ocular.  “O manual recomenda, quando possível, a utilização de avental descartável, mas não é obrigatório”, disse Pedro Carricondo.

Edição: Fernando Fraga

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